O carnaval de todas as teorias

 
O carnaval é a festa popular mais teorizada do mundo. Filósofos, antropólogos, sociólogos e até matemáticos (acreditem!) há muito tempo procuram entendê-lo. Livros e mais livros se lançam na missão de traçar o que seria um perfil científico deste que é o maior e mais festejado evento brasileiro. Pois bem. Este texto, esclareço desde já, não pretende o objetivo almejado pelos teóricos de plantão. E a razão é simples: o carnaval não deve ser levado tão a sério; explicar o aquecimento global analisando as vestimentas dos foliões, por exemplo, é uma babaquice. Sendo assim, proponho uma análise bem mais simples, disposta somente a valorizar sem exagerar e a criticar sem menosprezar a mais importante festividade brasileira.
O carnaval é democrático, profano, simbólico, alegre e (rsrs) cultural (?). É a oportunidade em que todos se unem na buscam da diversão e do prazer, (garotas adolescentes formam filas, para distribuição de beijos); é a hora de pisar no “falso moralismo” e ver arte em belos seios, bundas murchas e rodondinhas a mostra; é o momento de expressar a criatividade, tornando qualquer bobagem numa grande e admirada bobagem; é o encontro da felicidade com o cansaço merecido e desejado; é a afirmação de uma cultura que resiste e se impõe; no carnaval é como se por alguns dias, esquecêssemos das roubalheiras dos nossos amados e sorridentes políticos, de suculentos lanches e quitutes servidos a nossa digna guarda municipal, da desigualdade social, da violência…; é como se vivêssemos no melhor dos mundos; no mais feliz de todos. 
Temos aqui o delírio mais intensamente comemorado do planeta. Que bom que, mesmo iludidos, temos a chance de sermos felizes de vez em quando. Nota 1.000 para o carnaval.
Mas o carnaval também parece ser para muitos um convite irresistível para a prática de atos irresponsáveis; é excesso admitido e louvado como um deus; é a permissividade atraente e provocante; é a contemplação do conformismo que nos nega a oportunidade de ver além dos abadas, dos blocos, dos trios elétricos. Em outras palavras, é como se fôssemos merecedores da felicidade apenas nos festivos dias da carne¹. No resto do ano, só nos resta à realidade; e essa, nem preciso dizer, não é lá tão encantadora. Por fim, o carnaval, infelizmente, é uma propaganda enganosa, uma vez que passamos para o mundo a ideia de que vivemos no país mais feliz e liberal do mundo. Que aqui o respeito pelas liberdades grassa sem qualquer obstáculo. Um país em que as pessoas têm medo de sair de casa ante a possibilidade de serem assaltadas, agredidas e até mortas por qualquer bobagem, não é obviamente o planeta sonho. Um país que vê sem susto alguns de seus representantes enchendo de dinheiro público em meias e cuecas, mas se sente horrorizado (só pra exemplificar) quando se depara com a possibilidade de ver a demonstração de amor entre um branco e uma negra, não é rigorosamente um país livre. É hipócrita.
Os méritos do carnaval não afastam as suas facetas claramente desastrosas. Eles devem, antes de tudo, ser mantidos e fortalecidos de modo a possibilitar a superação, ou ao menos a redução, das consequências negativas aqui retratadas.
Bandas que não representam nossa realidade cultural e local, levam sacos e sacos de  dinheiro, verdadeiros garimpeiro, que levam nosso ouro deixando somente o buraco escavado. Enfim milhões gastos em poucos dias, e isso não muda em nada a nossa triste realidade cotidiana… Saúde, educação, transporte público, esgotamento sanitário… nada muda, é o mesmo da mesmisse.
Mitificar o carnaval, embrulhando-o de uma seriedade inalcançável e sempre teórica, a fim de compreender tudo e todos, não ajuda em nada na consecução desse propósito. Melhor mesmo é valer-se do espírito crítico, prático e renovador que habita em cada um de nós. Este sim nos conduz ao amadurecimento que indiscutivelmente falta para lidar com a nossa maior festividade, viva a alegria!!!
1. Carnaval
Corruptela do latim “CARRVM NAVALLIS”.
Na Antiguidade, os desfiles públicos oficiais eram restritos às conquistas guerreiras, recontatadas de forma alegórica, enquanto os desfiles festivos, eram de cunho religioso ou mitico, como as Satúrnias, que acabavam, inavariavelmente, em muito sexo (Por isso, essa confusão literal de “Festa da Carne”).
Com o passar do tempo, houve fusões e influencias de outras culturas mediterrãneas, mas o sentido de “corso” e “desfile” se manteve, sempre com a presença dos “Carros Navais”, mais tarde, denominados genéricamente de “Carros Alegóricos”.
Classificação morfossintática: fonte web
– [carnaval] substantivo masculino singular .
Sinônimos: orgia, sensual, lacivo, concupiscente, folía, tríduo, putaria, promiscuidade, confusão generalizada, libertinagem .
Antônimos: serinidade, pureza do espírito do corpo e da alma enterro, velório, tristeza, moralidade, castidade, melancolia.
Palavras relacionadas: festival, folia, folguedo, bacanal, imoralidade, agnome, alfanúmero, antropônimo, codinome, cognome, comemoração, entrudo, epônimo, evchamol, feriado festa, natal, pentecoste, páscoa, prenome, pseudônimo, quaresma, revelhão, sobrenome tecnônimo, véspera, desfiles de blocos, alegria .

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